Robson Braga de Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) é contra o aumento de impostos, uma solução cogitada por órgãos do governo para melhorar a crise financeira pela qual o país passa no momento. O grande problema dessa decisão é que, com a elevação dos impostos, as empresas serão as principais vítimas, pois já se encontram debilitadas por conta da recessão.

Essa decisão leva a uma bola de neve que cairá em cima do consumidor final, ou seja, reduzirá o poder de compra das famílias brasileiras. Com o aumento dos impostos, as empresas passam a ter mais despesas, direcionando parte dos lucros para o governo. Esse custo será repassado para os produtos que fabricam que, por sua vez, ao chegarem ao mercado, estarão com preços mais elevados.

Crise econômica no Brasil

O nosso país passa no momento por uma das mais problemáticas crises econômicas da história, sem falar da crise política. As consequências dela são terríveis: alta da inflação (produtos mais caros), recessão, dívida externa elevada, queda na confiança de empresas internacionais, elevadas taxas de desemprego, entre tantas outras,

O grande problema de tentar resolver essa crise com aumento de impostos é que, ao mesmo tempo que se resolve um problema, cria-se outro. É uma espécie de cobertor curto: quando você cobre a cabeça, os pés ficam do lado de fora.

Tudo começou lá atrás, na crise internacional de 2008 que abalou diversos países. Com isso, a atitude do então presidente Lula foi adotar medidas para estimular o consumo: redução nas taxas de juros, concedeu isenções fiscais, maior liberação de crédito pelos bancos e assim por diante. A curto prazo, essa foi uma boa decisão já que o país cresceu mais que outros países.

O problema é que essa crise durou mais que o previsto e atingiu a China, principal comprador de produtos brasileiros como soja e minério de ferro. Assim, o preço desses produtos de base caiu – além de outros – a arrecadação de impostos continuou baixa e assim, o governo passou a gastar mais do que arrecadar.

Por que a alta dos impostos não resolve o problema

O Brasil sempre foi e ainda é o país com uma das taxas de juros e arrecadação de impostos mais elevada (33% do produto interno bruto – PIB) dentre os países emergentes. Além disso, como as isenções ficais dadas foram revogadas devido à crise, as indústrias já estão arcando com uma elevada carga tributária que representa 30% da arrecadação brasileira.

Assim, os impostos continuam elevados e nem por isso o país conseguiu sair da crise ficando claro que aumentá-los não resolverá o problema.

Para Robson Braga de Andrade a solução não está em aumentar o valor dos impostos e sim na redução de gastos por parte do governo e também de toda a sociedade. Outra importante mudança que precisa ser feita com certa urgência é a reforma na Previdência Social com o objetivo de melhorar o ajuste fiscal no longo prazo.

Com esses ajustes, o país já consegue gerar mais confiança nos investidores e diminui um pouco a imagem de um país que não sabe ajustar as conta públicas. Isso gerará maior investimento tanto financeiro quanto no setor de criação de empregos, fazendo a máquina pública melhorar.

Equilíbrio das contas públicas deve vir do corte de gastos e das reformas, diz presidente da CNI